Mil Fotos Pra Você

Bendito Benedito

maio 31, 2017

Esse é o B, o Bendito, na verdade o Bendito Benedito 🙂 o gatinho que vive a exatos quinze dias no sótão aqui de casa. O Benedito apareceu assim, do nada lá na fábrica e não quis mais sair, peguei o bicho e trouxe para viver por aqui. Já levei ao veterinário, e já está castrado, vacinado e muito bem alimentado.

Só essa semana, já são seis novos arranhões na minha mão direita, e mais quatro no joelho,”pelo amor de Deus como isso dói” o Benedito tem mania de agarrar em um dos meus pés ou minha perna e ficar pendurado, subir até meu ombro é uma outra mania dele, até que ele brincando com meu cabelo cortou uma mecha (como assim o bicho corta cabelo?) sério, fiquei em choque olhando aquela cabelo todo na minha mão. Pois não gosto de cortar meu cabelo, nunca gostei, e nunca vou gostar, passo longe de qualquer moda sobre esse assunto. Agora tenho mantido o B bem longe deles.

O B tem feito meu coração bater acelerado, porque ele me assusta o tempo todo – ele sempre está na espreita esperando o momento certo para atacar e de súbito tenho um gato pulando em minha direção – não sei bem se isso é normal hahha!

Provavelmente os vizinhos já escutaram meus gritos aqui no condomínio do tipo: B solta , B não faça isso, B, B, BBBBBBB, seu gatinho endiabrado… Não sei não, mas acredito que o Bendito Benedito quer vingança, afinal de contas mandei castra-lo…

No entanto esse gatinho que segundo o João Paulo, veterinário dos meus cachorros, tem somente 5 meses de idade, ou seja: estou torcendo que ele torne-se um gato gordo (porque ele é muito magro) do tipo tranquilão em um futuro próximo.

Apesar de tudo acabei perdendo o medo que tinha pelos bichanos e sinto saudades quando estou fora de casa desse magrelinho, e ando me comportando feito mãe boba de bichos: comprando e costurando coisinhas fofas para ele. Afinal de contas ela ainda é um bebê.

Nas imagens que filmei ele está no seu momento fofo e doce, mesmo com as garras expostas. É sempre assim: hora calmo; hora agitado. Porém amo essa verdade do Benedito, talvez por isso  o admire tanto, ele não está nem aí para nada, vive a vida dele de boa, capta e compreende quando quer, chega junto se está afim, se não, ignora e está tudo bem. Esse bicho é tão independente…

 

 

Mil Fotos Pra Você

Aleatoriedades…

maio 11, 2017

A minha semana merece um Vade Retro em alto e bom som, porque muita coisa vem dando errado desde que este mês começou  – estou doente desde sábado; sábado esse que foi meu aniversário, e eu poderia perfeitamente ter usado um chapeuzinho de papel sobre a cabeça, esperar o grande momento de assoprar as velhinhas sozinha, para celebrar minha existência e blá, blá,blá. No entanto essa data só significa, que  o pior dia dos 365 dias do ano chegou.

Sempre detestei fazer aniversário, não sei explicar só fico profundamente triste neste dia. Além do mais, não acredito que a  passagens das datas comemorativas mudem alguma coisa, como muitos acreditam…

Ficar dentro de casa por tanto tempo me deixa mais irritada e incomoda mais que a dor que sinto. Acredito que meu mau humor tem mais haver mesmo com o fato de que precisei adiar minha viagem; estou precisando urgentemente de um tempo só pra mim, quebrar o ciclo vicioso que me ronda constantemente.

No feriado, estive na minha cidade “amorzinho, favorita tudo de bom” – Pirenópolis, mas certamente o mês já dava os primeiros sinais que não seria legal, ao invés de ficar na cidade, não, a esperta aqui resolveu que iria a Venda do Bento, um restaurante dentro de uma fazenda que na minha opinião já foi incrível, quando era um espaço pequeno – Tem comida boa, porém cara, tem muito verde, e um montão de coisas antigas espalhadas pelo lugar.

Mas agora que cresceu, ficou um tanto impessoal. O lugar ainda é bem familiar, tipo: cheio de pais, filhos e muito choro de crianças que faz qualquer um que não tenha filhos enlouquecer e querer sair de lá rapidinho. Foi o que eu fiz. Porque você procura um lugar para curtir o feriado, colocar as ideias em dias e ficar calma. Mas todavia não foi bem isso que aconteceu.

Bento, tchau e bença, porque não volto nunca mais! Ok! quem sabe em um dia mais calmo, eu volte…


Procura-se quem tenha tempo para vender – O  Reverson, melhor compositor de todos os tempos e meu amigo mais louco, andou puxando minha orelha, porque não andei treinando com meu ukulele. Preciso de umas seis horinhas a mais para fazer tudo o que preciso, e isso é sério.

Precisando fazer uns paranauê, pra acabar com essa mandinga que baixou por aqui, não posso deixar a peteca cair, não é verdade ? – Vade retro!  🙂 

 


Beijo no coração…

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Das Antigas – 2 on 2

maio 2, 2017

 

Bules, um cachorro de madeira, velhas fotografias em porta-retratos cuidadosamente arrumados sobre mesas e estantes. Muitas louças, talheres, um cesto de vime ao lado de uma poltrona, anjos, bibelôs, bolsas, colares, e muitos livros infinitamente relidos…Tem sido uma experiência prazerosa, procurar por coisas antigas em outras cidades.

Seria capaz de ficar horas em pequenos antiquários, garimpando peças, para a nova decoração da loja. Parece que isso de alguma forma repõe minhas energias e exercita minha criatividade.

Endereço – Coisas de Olhos

Rua Primeiro de Maio, número – 36

Olhos D’Água – Distrito de Alexânia – GO

Mais fotos do projeto 2 on 2  no blog da Faby Tsukino  . 

 

Beijo!!!

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Vem pra Piri… 2 on 2

abril 6, 2017

Em uma casa de adobe de 1870, com portas cor de rosa e corações no letreiro, funciona uma aconchegante pousada –São Judas Tadeu na minha cidade favorita do Goiás – Pirenópolis.

Seria só mais uma pousada como tantas em Piri, no entanto esse lugar tem um diferencial: vocês podem facilmente ter como companhia no café da manhã, um montão de criaturinhas encantadoras. Os macacos sagui aproveitam para buscar alimentos nesta hora do dia.

Tem todo um ritual:

O primeiro chega, sem timidez, e observa a comida posta sobre a farta mesa

Meio impaciente, anda de um lado para o outro esperando para se deleitar.

Em seguida, entra pela pequena janela da cozinha. Ele já sabe que

o Sergio, dono da pousada já o espera todas as manhãs.

Depois de ganhar seu alimento, foge e come rápido, assustado para em seguida

emitir um som chamando os demais. Só posso dizer uma coisa: sou feliz por fazer parte disso tudo.

Mesmo vivendo em um país tropical, ainda continuo sendo surpreendida e apaixonadíssima por nossa fauna e flora…

Etâ vontade de trocar meus vizinhos chatos por estes peludinhos carismáticos…

 

Pensei seriamente em colocar alguns dentro da minha mochila e fugir com eles para Machu Picchu  e ficar por lá… NÃO, isso não é verdade, sei o quão é importante respeitar a natureza, lugar de bicho é no meio do mato.

O projeto atrasou porque:

  1. Estou de mudança na minha empresa e ando atolada no cimento: areia, tintas, pedreiro, serralheiro e muito trabalho – acordando às 4:00 da manhã todo santo dia.
  2.  Minha cadela Trilha que já estava cega (ela tem 12 anos), precisou retirar um dos olhos: anda irritada, nervosa e muito impaciente, e no meio disso tudo, preciso eu, ter muita paciência para medica-la e alimenta-la na boca…Mas ela é minha responsabilidade até o seu fim. Que eu tenha paciência infinita sempre.
  3. Com a mudança da empresa andei me machucando – primeiro deixei o armário cair, no meu joelho e logo em seguida no pé. E ontem ao arrastar uma mesa deixei a cpu do meu computador cair outra vez no meu pé, que está inchado e doendo, e fiz este post só com uma mão direita, porque meu punho está na mesma situação. Então perdoem o meu atraso, me esforcei.

 

Agora, procure uma lugar calmo;uma poltrona, uma cama ou até mesmo uma rede,o local pouco importa, coloca o fone de ouvido, relaxa e escuta Maria Bethânia… Só porque é lindo!!!

 

Beijo!

Mil Fotos Pra Você Na Mordida

Bicho de Goiaba

março 13, 2017

Cozinhar é uma coisa maravilhosa, princialmente se você assim como eu não precisa ou é obrigada a pilotar o fogão todo santo dia.

Essa aqui não é uma das muitas receitas da minha avó Sinhá, mestre na arte de fazer doces caseiros. Mesmo porque eu não gostaria de ficar horas a fio mexendo uma colher de pau até o doce chegar ao ponto certo.

Essa é uma receita de goiabada cascão que desmancha na boca, mas que não tem cara de receita super elaborada, e é feita na panela de pressão.

Fui desenvolvendo ao longo dos anos, acrescentei ingredientes que conclui que combinariam entre si. A inspiração foi surgindo e só fui seguindo o caminho do meu instinto. E que coisa mais linda é a criação, não é verdade?

Vou deixar a receita aqui que garanto: cura espinhela caída, olho gordo, depressão, praga de mãe e de madrinha hahah!

Ok! isso é brincadeira, mas manter a mente e corpo ocupado faz muito bem ao coração e o ambiente fica com cheirinho de casa de vó. Então só por hoje, vamos abraçar as panelas.

Receita

1 Kg de goiaba

500g de açúcar mascavo

2 cálices do seu vinho tinto suave favorito ( prefiro o vinho tinto porque ele deixa o doce com essa cor escura linda, não gosto de nada branco com cara de azedo). Mas vocês podem acrescentar o vinho branco, aqui vale o gosto pessoal de cada um, certo?

200ml  de água.

Modo de Preparo 

Lave e pique as goiabas; a casca e o caroço também . Lembre-se, esse é um doce de goiabada cascão.

Em uma penela de pressão, intercale uma camada de goiabas picadas e outra de açúcar mascavo, e por fim acrescente o vinho e a água.

Feche a panela, quando começar a dar pressão conte mais 15 minutos e só depois desligue o fogo. Abra a panela de pressão somente quanto todo o ar estiver saído naturalmente. Nada de colocar debaixo da torneira da pia para acelerar a abertura. Entenda que esse tempo é importante para  as frutas continuarem  seu cozimento.

Passado essa etapa, vocês podem optar por consumir o doce em pedaços, ou bater no liquidificador. Sinceramente prefiro a segunda opção, pois acho que o deixa  com  textura aveludada. Em seguida é só peneira-lo, colocar nos potes e correr pro abraço dos amigos! Porque gente, meus amigos adoram os doces que faço.

 

Meus potes de doces, distribui entre meus vizinhos  de comércio. Mas vocês podem vender, presentear a família, amigos ou esconder e comer tudinho sozinho.

Beijo doce!!!

Ps. Experimentem com outras frutas, pessoal fica muito bom, verdade eu já testei com todas…

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2 on 2- Carnaval

março 2, 2017

 

O post de hoje, é para quem como eu ainda está em clima de carnaval… e desculpe pelo palavrão que segue ao longo deste post, mas só estou escrevendo o que ouvi em uma das quatro cidades que andei por esse carnaval de meu Deus, ou será do diabo?

E FODEU A PIRANHA APARECEU!

E FODEU A PIRANHA APARECEU!

E FODEU A PIRANHA APARECEU!

O ano passado quando visitei a cidade de Olhos D’ Água, soube do carnaval de rua um tanto diferente e engraçado; – segundo algumas pessoas, era de costume os homens do local usarem roupas femininas para comemorar uma das festas mais esperadas por boa parte do povo brasileiro.

Como já disse antes, tudo neste lugar é simples, e a festa não é diferente.

Teve beijo, abraço, homens de vestidos, de maquiagem tosca, de pernocas de fora, cerveja gelada, chuva, teve briga, palavrão, um singelo protesto contra a Temer (FORA TEMER!!!).

Muita música e uma infinidade de ritmos, de todos cantos deste país.

E claro, que não poderia deixar de conferir  isso de perto minha gente. E só tenho uma coisa a dizer: É de rolar de rir observar os moços na versão feminina.

Confere só:

Faby você curtiu o carnaval?

Beijo 🙂

 

 

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Meu Pé de Pitanga – 2 on 2

janeiro 2, 2017

Paulo, o seu presente, cresceu, floriu e deu os primeiros frutos.

Foram quatro anos de uma longa ansiedade de minha parte; não é fácil fazer crescer uma árvore em terreno com entulho de construção. Dei o meu melhor: transplantei, reguei, esperei, e acreditei que seria possível. Ele se esforçou, bem sei de todo o sacrifício desse pezinho. Se não brotasse nenhum fruto, poderia fazer banho com suas folhas.

Sabe Paulo, as folhas desta planta é um santo remédio para baixar a febre.

A primeira floração foi linda, soltei o maior grito de emoção. Agora eu sabia, faltava muito pouco para relembrar do gosto fresco e cheiro de perfume de pitanga que nenhum boticário até o momento conseguiu reproduzir.

Os frutos também foram tímidos, e ainda tive que dividi-los com os pássaros e abelhas; não foi suficiente para fazer nem mesmo um copo de suco, porém  não liguei. O mais importante é que seu presente, me fez  retornar as tardes na roça do vovô Sóstenes: pensa em uma criatura que adorava subir nas árvores e alimentar os netos com tudo quanto é tipo de fruta!

Pitanga a “Eugênia Uniflora” – essa frutinha que parece uma mini abóbora  de cor vermelha e alaranjada, de sabor marcante, tem fruto frágil, mas suas folhas  são  um poderoso anti-inflamatório natural usado para tratar: hipertensão, bronquite e até doença do coração.

Obrigada pelo melhor presente que já ganhei em quatros anos.

A felicidade pode está em um pé de pitanga, né?

 

Tem mais no blog da Faby Tsukino.

Blog da Faby Tsukino 

Beijos!

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Pequena Notável – Olhos D’Água Continuação…

dezembro 29, 2016

… Somente hoje volto aqui para dar cabo a essa história (Olhos D’ Água). Confesso que dei uma enrolada, mas dezembro  tem sido um mês difícil e depois acho que não estou fazendo jus aos lugares que estive, e acabo travando uma briga com as palavras e elas desaparecem e  não sei o que escrever…

Porém, depois de apaziguar os meus fantasmas eis aqui a continuação do texto –  Agora de uma época bem  mais distante, quando essas terras ainda não eram habitadas e onde o vazio imperava. Porque acreditem ou não nem só pela tradicional Feira Do Troca  e refúgio de hippies essa terras são conhecidas.  Por essas bandas atravessou uma linha invisível aos olhos.

De 1498 a 1750  aqui serviu de limite territorial entre domínios coloniais portugueses e espanhóis.  Isso mesmo, esse é um dos pontos onde a linha do Tratado de  Tordesilhas passou.  Essa fonte de informação consta no livro – A história da Terra e do Homem no Planalto Central de Paulo Bertran .

No entanto se vocês não quiserem ler o livro que trata desde assunto, basta entrar no Bar Museu, posicionado num canto da praça Santo Antônio de Pádua, e a Dª Cecília  estará lá pronta para esclarecer todas as suas  dúvidas, e você ainda fica sabendo de algumas” fofocas”  da cidade.

De personalidade forte e opinião formada para tudo essa senhora tem orgulho de contar para cada turista que entra em seu bar que a linha passa por dentro do seu estabelecimento comercial.

Sem mesas e nem mesmo cadeiras (por falta de espaço mesmo) com pouca iluminação, você faz o pedido ao pé do balcão de madeira apodrecida pelo tempo e coberto por uma toalha de plástico. Mas vou logo adiantando, ali não é servido comidas, doces ou quitutes. O Bar tem mais de 200 tipos de cachaças, e garrafadas medicinais que a dona afiançou com toda a certeza do mundo, que serve para todo tipo de doença e perrengue. E segundo a própria, tudo está a venda: canecas esmaltadas antigas, bules, espigas de milho secas, bonecas de mdf , bonecas de palha de milho seco. Até uma algema com bola de ferro, instrumento para castigar e impedir a fuga de escravos repousa ali no balcão como resquícios da crueldade humana.

 

Poema de Emerval  Crespi – Tio Zé

Poema de nossa Aldeia

Lugarzim besta, sô
num tem nada prá oiá
uns triêrozim istreito
cercado de mato e pé de pau
cu’as fulozinha incarnada
arrudiada de bejafrô
lugarzim das rua prifumada
das vêis chêra áio queimado
das ôtra café torrado
chêra inté dama da noite
qui o vento metido a açoite
leva consigo pra bêra da istrada
ô cantim parado
onde as moça sai suzinha
no caminho da missa, à noitinha
sem importá cum hômi marvado
arremedo da chama da vida
de muleque e bola na praça
donde a igrejinha tenta inxergá a mina
num tem ferro, num tem vidraça
só moça e véia dibruçada
na janela
oiando a vida passá
vêis em quando inda si iscuita
bem prá acolá
o rangê dum carro de boi
qui insiste num si interrá
a junta incangada puxando
os causo desse lugá
lugarzim besta, sô
das vidinha tudo piquena
qual fulozinha branquinha
miúda e prifumada
qui brota dos laranjá.

Autor-EMERVAL CRESPI-TIO ZÉ

Mesmo que imaginária tenha  sido a linha do Tratado, e hoje ela não exista mais, ao entrar neste pequeno e desajeitado bar, estava com um pé na Espanha e outro Portugal. Agora diz aí se Olhos D’ Água não é uma pequena notável?

Beijos!!!

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Olhos D’Água

dezembro 13, 2016

Senhoras e senhores, bem-vindos a Olhos D’ Água, uma vila quase isolada entre duas capitais – Brasília e Goiânia.

Onde poucas ruas são calçadas, onde quase não circulam carros – por essas bandas charretes  cavalos e bicicletas são mais comuns.

Imagine, entrar em uma rua de pedra  e desembocar em uma estrada de chão batido de terra vermelha no meio do mato. E você se pergunta: – uai, acabou? Para abrir em seguida um sorriso e achar isso tudo incrível.

Logo, esqueça:  cartão de crédito ou débito. Quando você consegue encontrar um lugar com a máquina para cartão, o sinal é quase um suspiro de tão fraco, o dinheiro vivo ainda é quem manda por aqui.

Esqueça também: bancos, caixas eletrônicos, ou hospitais, e  acredite se quiser, aqui só tem uma farmácia. Sendo um distrito de Alexânia, você precisa pegar a estrada, para pagar as contas por lá … Não esperem também por uma prefeitura, aqui só funciona uma sub-prefeitura, mas na real situação do país, não acredito mais que alguém precise de prefeituras, congressos, ou coisas do tipo…

Ainda é  possível encontrar quem tenha tempo: pessoas que ficam sentadas nas calçadas de suas portas de casas modestas se deleitando de uma boa conversa fiada.

Para muitos que não vivem aqui, o lugar parou no tempo, até acreditam que existe um atraso gigantesco. Na minha concepção, é só uma menina sem a miníma vontade de crescer. É preciso  aceitar que tudo tem suas limitações, e não tem nada de errado nisso.

Eu diria mais:

Não cresça menina morena de cabelos lisos de Olhos D’ Água , tu é tão bonita assim do jeitinho que é; pura, inocente. Você tem alma sensível. Continue mostrando sua simplicidade. O mundo gira veloz é verdade. Se quiser menina cresça, mas cresça só quando tiver pronta.

 

Só existe um serviço de telefonia que funciona, e ainda sim, é preciso saber os pontos exatos, uma dica: um dos lugares fica próximo da Igreja de Santo Antônio de Pádua . Aliás o santo responsável pelo nascimento da pequena vila.

Nascida de uma promessa, feita por uma das moradoras do vilarejo em 1941, para seu santo de devoção Santo Antônio, santinho casamenteiro para nosso povo; eu me pergunto, seria uma promessa para encontrar marido???

Se foi esse ou não o pedido, eu não tenho como lhes contar, só  sei que a capela foi erguida, com a doação de terras pelos cunhados da moradora, então a promessa foi cumprida. Etâ santinho danado sô!

Algumas pessoas de Brasília, procuram o lugar em busca de calma nos finais de semana, e outras já compraram casas para um recanto e fazer um ninho.

O lugar ainda é muito tímido em questão de serviço hoteleiro, não se pode esperar mais do que isso, aqui vivem apenas mil habitantes e a maioria das pessoas que chegam de outras cidades ficam em casas de amigos ou parentes. Só existem três pousadas, com pouquíssimos quartos  para se hospedar, e por isso precisei fazer duas viagens, uma no sábado e retornar no domingo. Mas considerando que a BR – 060 é bonita e muito bem sinalizada, valeu o esforço.

Além do mais precisava realizar um sonho antigo – estaria participando pela primeira vez ao vivo e cores de uma feira de escambo.

Bules de Prata de Lei 🙂

Sonho antigo – Feira do Troca

No começo o povoado que surgiu em volta da Igreja, era formado por meeiros (agricultores que trabalham em terras que pertenciam a outra pessoa). Moeda corrente era algo raro, consequentemente o sal era o único produto que mandavam comprar na cidade de Corumbá. De resto; a comida, os animais e os tecidos fiados pelas mãos das fiadeiras era trocados por outros serviços prestados.

Somente em 1974 uma professora da UnB (Universidade de Brasília) Laís Aderne,  reuniu os moradores e juntos tiveram a ideia de produzirem produtos como comidas típicas artesanato de raiz e alguns utensílios para incentivar na produção local. Surgindo então a Feira do Troca, que acabou se consolidando e a troca por necessidade deixou de existir. Hoje é mais uma questão cultural mesmo e cada um faz uma troca ou venda  justa como meio de negociação.

 

O casal de namorados descansado entre os tapetes 🙂

A feira acontece semestralmente no mês de junho e dezembro, e esse mês aconteceu a 87ª edição –  É como entrar em um portal e se transportar para uma época antiga. Agora acrescente um pouco de música, danças, teatro de mamulengo, atração circense, comidas típicas, muita gente e você já tem todos os ingredientes de uma boa festa.

Ao contrário do sábado, o domingo tinha muito mais expositores, e a chuva o sol e o vento brincaram de esconde- esconde ao longo do dia, e todo mundo entrou na brincadeira – Uma hora a chuva saia fininha e fresca molhando o corpo, para em seguida se esconder e dá passagem ao sol, que lançavam seus raios como se espreguiçassem de uma longa noite de sono.

O vento???

Ah, esse era moleque travesso levando tudo que via pelo caminho.

 

Continua…