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Olhos D’Água

dezembro 13, 2016

Senhoras e senhores, bem-vindos a Olhos D’ Água, uma vila quase isolada entre duas capitais – Brasília e Goiânia.

Onde poucas ruas são calçadas, onde quase não circulam carros – por essas bandas charretes  cavalos e bicicletas são mais comuns.

Imagine, entrar em uma rua de pedra  e desembocar em uma estrada de chão batido de terra vermelha no meio do mato. E você se pergunta: – uai, acabou? Para abrir em seguida um sorriso e achar isso tudo incrível.

Logo, esqueça:  cartão de crédito ou débito. Quando você consegue encontrar um lugar com a máquina para cartão, o sinal é quase um suspiro de tão fraco, o dinheiro vivo ainda é quem manda por aqui.

Esqueça também: bancos, caixas eletrônicos, ou hospitais, e  acredite se quiser, aqui só tem uma farmácia. Sendo um distrito de Alexânia, você precisa pegar a estrada, para pagar as contas por lá … Não esperem também por uma prefeitura, aqui só funciona uma sub-prefeitura, mas na real situação do país, não acredito mais que alguém precise de prefeituras, congressos, ou coisas do tipo…

Ainda é  possível encontrar quem tenha tempo: pessoas que ficam sentadas nas calçadas de suas portas de casas modestas se deleitando de uma boa conversa fiada.

Para muitos que não vivem aqui, o lugar parou no tempo, até acreditam que existe um atraso gigantesco. Na minha concepção, é só uma menina sem a miníma vontade de crescer. É preciso  aceitar que tudo tem suas limitações, e não tem nada de errado nisso.

Eu diria mais:

Não cresça menina morena de cabelos lisos de Olhos D’ Água , tu é tão bonita assim do jeitinho que é; pura, inocente. Você tem alma sensível. Continue mostrando sua simplicidade. O mundo gira veloz é verdade. Se quiser menina cresça, mas cresça só quando tiver pronta.

 

Só existe um serviço de telefonia que funciona, e ainda sim, é preciso saber os pontos exatos, uma dica: um dos lugares fica próximo da Igreja de Santo Antônio de Pádua . Aliás o santo responsável pelo nascimento da pequena vila.

Nascida de uma promessa, feita por uma das moradoras do vilarejo em 1941, para seu santo de devoção Santo Antônio, santinho casamenteiro para nosso povo; eu me pergunto, seria uma promessa para encontrar marido???

Se foi esse ou não o pedido, eu não tenho como lhes contar, só  sei que a capela foi erguida, com a doação de terras pelos cunhados da moradora, então a promessa foi cumprida. Etâ santinho danado sô!

Algumas pessoas de Brasília, procuram o lugar em busca de calma nos finais de semana, e outras já compraram casas para um recanto e fazer um ninho.

O lugar ainda é muito tímido em questão de serviço hoteleiro, não se pode esperar mais do que isso, aqui vivem apenas mil habitantes e a maioria das pessoas que chegam de outras cidades ficam em casas de amigos ou parentes. Só existem três pousadas, com pouquíssimos quartos  para se hospedar, e por isso precisei fazer duas viagens, uma no sábado e retornar no domingo. Mas considerando que a BR – 060 é bonita e muito bem sinalizada, valeu o esforço.

Além do mais precisava realizar um sonho antigo – estaria participando pela primeira vez ao vivo e cores de uma feira de escambo.

Bules de Prata de Lei 🙂

Sonho antigo – Feira do Troca

No começo o povoado que surgiu em volta da Igreja, era formado por meeiros (agricultores que trabalham em terras que pertenciam a outra pessoa). Moeda corrente era algo raro, consequentemente o sal era o único produto que mandavam comprar na cidade de Corumbá. De resto; a comida, os animais e os tecidos fiados pelas mãos das fiadeiras era trocados por outros serviços prestados.

Somente em 1974 uma professora da UnB (Universidade de Brasília) Laís Aderne,  reuniu os moradores e juntos tiveram a ideia de produzirem produtos como comidas típicas artesanato de raiz e alguns utensílios para incentivar na produção local. Surgindo então a Feira do Troca, que acabou se consolidando e a troca por necessidade deixou de existir. Hoje é mais uma questão cultural mesmo e cada um faz uma troca ou venda  justa como meio de negociação.

 

O casal de namorados descansado entre os tapetes 🙂

A feira acontece semestralmente no mês de junho e dezembro, e esse mês aconteceu a 87ª edição –  É como entrar em um portal e se transportar para uma época antiga. Agora acrescente um pouco de música, danças, teatro de mamulengo, atração circense, comidas típicas, muita gente e você já tem todos os ingredientes de uma boa festa.

Ao contrário do sábado, o domingo tinha muito mais expositores, e a chuva o sol e o vento brincaram de esconde- esconde ao longo do dia, e todo mundo entrou na brincadeira – Uma hora a chuva saia fininha e fresca molhando o corpo, para em seguida se esconder e dá passagem ao sol, que lançavam seus raios como se espreguiçassem de uma longa noite de sono.

O vento???

Ah, esse era moleque travesso levando tudo que via pelo caminho.

 

Continua…