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Olhos D’Água

2 on 2 Diário de Viagem Mil Fotos Pra Você The Road Is Home

2 on 2- Carnaval

março 2, 2017

 

O post de hoje, é para quem como eu ainda está em clima de carnaval… e desculpe pelo palavrão que segue ao longo deste post, mas só estou escrevendo o que ouvi em uma das quatro cidades que andei por esse carnaval de meu Deus, ou será do diabo?

E FODEU A PIRANHA APARECEU!

E FODEU A PIRANHA APARECEU!

E FODEU A PIRANHA APARECEU!

O ano passado quando visitei a cidade de Olhos D’ Água, soube do carnaval de rua um tanto diferente e engraçado; – segundo algumas pessoas, era de costume os homens do local usarem roupas femininas para comemorar uma das festas mais esperadas por boa parte do povo brasileiro.

Como já disse antes, tudo neste lugar é simples, e a festa não é diferente.

Teve beijo, abraço, homens de vestidos, de maquiagem tosca, de pernocas de fora, cerveja gelada, chuva, teve briga, palavrão, um singelo protesto contra a Temer (FORA TEMER!!!).

Muita música e uma infinidade de ritmos, de todos cantos deste país.

E claro, que não poderia deixar de conferir  isso de perto minha gente. E só tenho uma coisa a dizer: É de rolar de rir observar os moços na versão feminina.

Confere só:

Faby você curtiu o carnaval?

Beijo 🙂

 

 

Antena Ligada Mil Fotos Pra Você

Pequena Notável – Olhos D’Água Continuação…

dezembro 29, 2016

… Somente hoje volto aqui para dar cabo a essa história (Olhos D’ Água). Confesso que dei uma enrolada, mas dezembro  tem sido um mês difícil e depois acho que não estou fazendo jus aos lugares que estive, e acabo travando uma briga com as palavras e elas desaparecem e  não sei o que escrever…

Porém, depois de apaziguar os meus fantasmas eis aqui a continuação do texto –  Agora de uma época bem  mais distante, quando essas terras ainda não eram habitadas e onde o vazio imperava. Porque acreditem ou não nem só pela tradicional Feira Do Troca  e refúgio de hippies essa terras são conhecidas.  Por essas bandas atravessou uma linha invisível aos olhos.

De 1498 a 1750  aqui serviu de limite territorial entre domínios coloniais portugueses e espanhóis.  Isso mesmo, esse é um dos pontos onde a linha do Tratado de  Tordesilhas passou.  Essa fonte de informação consta no livro – A história da Terra e do Homem no Planalto Central de Paulo Bertran .

No entanto se vocês não quiserem ler o livro que trata desde assunto, basta entrar no Bar Museu, posicionado num canto da praça Santo Antônio de Pádua, e a Dª Cecília  estará lá pronta para esclarecer todas as suas  dúvidas, e você ainda fica sabendo de algumas” fofocas”  da cidade.

De personalidade forte e opinião formada para tudo essa senhora tem orgulho de contar para cada turista que entra em seu bar que a linha passa por dentro do seu estabelecimento comercial.

Sem mesas e nem mesmo cadeiras (por falta de espaço mesmo) com pouca iluminação, você faz o pedido ao pé do balcão de madeira apodrecida pelo tempo e coberto por uma toalha de plástico. Mas vou logo adiantando, ali não é servido comidas, doces ou quitutes. O Bar tem mais de 200 tipos de cachaças, e garrafadas medicinais que a dona afiançou com toda a certeza do mundo, que serve para todo tipo de doença e perrengue. E segundo a própria, tudo está a venda: canecas esmaltadas antigas, bules, espigas de milho secas, bonecas de mdf , bonecas de palha de milho seco. Até uma algema com bola de ferro, instrumento para castigar e impedir a fuga de escravos repousa ali no balcão como resquícios da crueldade humana.

 

Poema de Emerval  Crespi – Tio Zé

Poema de nossa Aldeia

Lugarzim besta, sô
num tem nada prá oiá
uns triêrozim istreito
cercado de mato e pé de pau
cu’as fulozinha incarnada
arrudiada de bejafrô
lugarzim das rua prifumada
das vêis chêra áio queimado
das ôtra café torrado
chêra inté dama da noite
qui o vento metido a açoite
leva consigo pra bêra da istrada
ô cantim parado
onde as moça sai suzinha
no caminho da missa, à noitinha
sem importá cum hômi marvado
arremedo da chama da vida
de muleque e bola na praça
donde a igrejinha tenta inxergá a mina
num tem ferro, num tem vidraça
só moça e véia dibruçada
na janela
oiando a vida passá
vêis em quando inda si iscuita
bem prá acolá
o rangê dum carro de boi
qui insiste num si interrá
a junta incangada puxando
os causo desse lugá
lugarzim besta, sô
das vidinha tudo piquena
qual fulozinha branquinha
miúda e prifumada
qui brota dos laranjá.

Autor-EMERVAL CRESPI-TIO ZÉ

Mesmo que imaginária tenha  sido a linha do Tratado, e hoje ela não exista mais, ao entrar neste pequeno e desajeitado bar, estava com um pé na Espanha e outro Portugal. Agora diz aí se Olhos D’ Água não é uma pequena notável?

Beijos!!!

Antena Ligada Diário de Viagem Mil Fotos Pra Você The Road Is Home

Olhos D’Água

dezembro 13, 2016

Senhoras e senhores, bem-vindos a Olhos D’ Água, uma vila quase isolada entre duas capitais – Brasília e Goiânia.

Onde poucas ruas são calçadas, onde quase não circulam carros – por essas bandas charretes  cavalos e bicicletas são mais comuns.

Imagine, entrar em uma rua de pedra  e desembocar em uma estrada de chão batido de terra vermelha no meio do mato. E você se pergunta: – uai, acabou? Para abrir em seguida um sorriso e achar isso tudo incrível.

Logo, esqueça:  cartão de crédito ou débito. Quando você consegue encontrar um lugar com a máquina para cartão, o sinal é quase um suspiro de tão fraco, o dinheiro vivo ainda é quem manda por aqui.

Esqueça também: bancos, caixas eletrônicos, ou hospitais, e  acredite se quiser, aqui só tem uma farmácia. Sendo um distrito de Alexânia, você precisa pegar a estrada, para pagar as contas por lá … Não esperem também por uma prefeitura, aqui só funciona uma sub-prefeitura, mas na real situação do país, não acredito mais que alguém precise de prefeituras, congressos, ou coisas do tipo…

Ainda é  possível encontrar quem tenha tempo: pessoas que ficam sentadas nas calçadas de suas portas de casas modestas se deleitando de uma boa conversa fiada.

Para muitos que não vivem aqui, o lugar parou no tempo, até acreditam que existe um atraso gigantesco. Na minha concepção, é só uma menina sem a miníma vontade de crescer. É preciso  aceitar que tudo tem suas limitações, e não tem nada de errado nisso.

Eu diria mais:

Não cresça menina morena de cabelos lisos de Olhos D’ Água , tu é tão bonita assim do jeitinho que é; pura, inocente. Você tem alma sensível. Continue mostrando sua simplicidade. O mundo gira veloz é verdade. Se quiser menina cresça, mas cresça só quando tiver pronta.

 

Só existe um serviço de telefonia que funciona, e ainda sim, é preciso saber os pontos exatos, uma dica: um dos lugares fica próximo da Igreja de Santo Antônio de Pádua . Aliás o santo responsável pelo nascimento da pequena vila.

Nascida de uma promessa, feita por uma das moradoras do vilarejo em 1941, para seu santo de devoção Santo Antônio, santinho casamenteiro para nosso povo; eu me pergunto, seria uma promessa para encontrar marido???

Se foi esse ou não o pedido, eu não tenho como lhes contar, só  sei que a capela foi erguida, com a doação de terras pelos cunhados da moradora, então a promessa foi cumprida. Etâ santinho danado sô!

Algumas pessoas de Brasília, procuram o lugar em busca de calma nos finais de semana, e outras já compraram casas para um recanto e fazer um ninho.

O lugar ainda é muito tímido em questão de serviço hoteleiro, não se pode esperar mais do que isso, aqui vivem apenas mil habitantes e a maioria das pessoas que chegam de outras cidades ficam em casas de amigos ou parentes. Só existem três pousadas, com pouquíssimos quartos  para se hospedar, e por isso precisei fazer duas viagens, uma no sábado e retornar no domingo. Mas considerando que a BR – 060 é bonita e muito bem sinalizada, valeu o esforço.

Além do mais precisava realizar um sonho antigo – estaria participando pela primeira vez ao vivo e cores de uma feira de escambo.

Bules de Prata de Lei 🙂

Sonho antigo – Feira do Troca

No começo o povoado que surgiu em volta da Igreja, era formado por meeiros (agricultores que trabalham em terras que pertenciam a outra pessoa). Moeda corrente era algo raro, consequentemente o sal era o único produto que mandavam comprar na cidade de Corumbá. De resto; a comida, os animais e os tecidos fiados pelas mãos das fiadeiras era trocados por outros serviços prestados.

Somente em 1974 uma professora da UnB (Universidade de Brasília) Laís Aderne,  reuniu os moradores e juntos tiveram a ideia de produzirem produtos como comidas típicas artesanato de raiz e alguns utensílios para incentivar na produção local. Surgindo então a Feira do Troca, que acabou se consolidando e a troca por necessidade deixou de existir. Hoje é mais uma questão cultural mesmo e cada um faz uma troca ou venda  justa como meio de negociação.

 

O casal de namorados descansado entre os tapetes 🙂

A feira acontece semestralmente no mês de junho e dezembro, e esse mês aconteceu a 87ª edição –  É como entrar em um portal e se transportar para uma época antiga. Agora acrescente um pouco de música, danças, teatro de mamulengo, atração circense, comidas típicas, muita gente e você já tem todos os ingredientes de uma boa festa.

Ao contrário do sábado, o domingo tinha muito mais expositores, e a chuva o sol e o vento brincaram de esconde- esconde ao longo do dia, e todo mundo entrou na brincadeira – Uma hora a chuva saia fininha e fresca molhando o corpo, para em seguida se esconder e dá passagem ao sol, que lançavam seus raios como se espreguiçassem de uma longa noite de sono.

O vento???

Ah, esse era moleque travesso levando tudo que via pelo caminho.

 

Continua…