Diário de Viagem Mil Fotos Pra Você The Road Is Home

O Camping e o Capetinha de Minas.

agosto 28, 2016

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– Vamos pro rancho?

Sugeriu Sandra com um sorriso largo e cativante que só ela tem.

– Vamos eu disse!

– Sério, vamos mesmo?

– Sim, vamos!

E depois da minha resposta positiva que nem ela mesmo acreditava, estava eu indo em direção a um lugar situado lá pelas bandas da Serra da Canastra. Pertinho da cidade de Tapira em Minas Gerais e sem luz elétrica, o que significava que a civilização iria ser deixada para trás e a internet nossa de cada dia que nós faz de escravos a cada minuto só seria uma vaga lembrança distante e saudosa para alguns amigos presente ali. Portanto a única maneira de conseguir energia a noite é fazendo uma gambiarra com fios ligado a bateria do carro, que clareia somente a cozinha aberta da pequena casa de um quarto, uma sala e um banheiro.

A água encanada precisa de toda uma produção: um cano é introduzido ao fogão à lenha que por sua vez passa por uma serpentina e chega até o banheiro com água aquecida, para ninguém passar frio na hora do banho, um luxo diga-se de passagem para a simplicidade do lugar.

Para conseguir chegar ao Rancho do Rogério, você come um monte de poeira é chacoalhado por todo caminho, porque a estrada é de chão, passa por muitas fazendas, mata-burros, dando a impressão que o carro não vai conseguir se equilibrar e você vai atolar e ficar ali, plantações de eucaliptos que deixa uma agradável aroma no ar e uma paisagem de tirar o fôlego, e para todos os efeitos: isso já vale muito à pena passar por todo o perrengue.

Ao chegar ao nosso destino, a Sandra pergunta outra vez se eu não gostaria de acampar; segundo ela seria algo muito legal. Verdade seja dita, nunca gostei muito da ideia de dormir dentro de uma barraca no meio do nada, e para mais uma incredulidade da minha amiga Sandra eu disse : por que não experimentar ?

Depois de armar as barracas em um chão de areia branca salpicado de pedrinhas perto das cachoeiras, a noite caí o frio chega, e agasalhar é preciso, a escuridão do céu revela constelações de estrelas que provavelmente nem foram catalogadas pela União Astronômica Internacional. Suspiros e mais suspiros enquanto caminhava no breu da noite com o Orfeu e uma pequena lanterna de companhia e na esperança de não encontrar nenhuma jaguatirica ou javali no caminho, animais comuns por essas redondezas, segundo o dono do rancho. Afinal de contas, meu cachorro nunca foi ou será um cão de guarda, ele só é um pequeno poodle assustado que tem medo da própria sombra.

Uma aranha de olhos brilhantes aparece no caminho, e ao longe uma queimada que clareava a noite, fato triste mas normal nesta época do ano por aqui, foram os únicos fatos que aconteceram antes de retornar para a barraca, que por sinal estava brutalmente confortável, mas eu precisei de 3 blusas 1 casaco e mais um cobertor para aguentar o frio que costuma chegar até 3 ºC em certas noites na região, evidentemente não foi o caso, mas mesmo assim estava frio.

Acordei quatro vezes ao longo da noite, fato bastante normal que acontece comigo toda vez que me encontro longe da minha cama, sempre estranho o lugar, de resto, foi agradável ouvir o som da cachoeira no silêncio da noite.

A manhã começou ensolarada, mais ainda fria e agitada com o pessoal preparando o café e a comida para o dia que acabava  de nascer, regada de muitos “causos” (como os mineiros chamam histórias e lendas aqui) sobre capetas, aparições e cemitérios todos narrados pelo Aires, um cara que tem uma habilidade excepcional pra fazer você rolar de rir.

Uma delas por sinal chamou a minha atenção, onde ele diz saber uma receita de um suposto capetinha, fabricado com fezes de animais e mais alguns ingredientes. Segundo a crença local, algumas pessoas acreditam que ao fabricarem esse criatura, e colocarem dentro de casa, ele trará grandes fortunas para seus proprietários.

Entre muitas gargalhadas, comida, churrasco, cerveja, vinho, doce de ambrosia, queijo e incredulidade de minha parte para as possíveis criaturas do além, só faltou tomar banho de cachoeira, mas o frio me fez covarde para entrar nas águas geladas.

Mas prometo Minas voltar um dia para suas águas, em dias mais quentes é claro.

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Meu céu é azul e amarelo

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Sua majestade: o queijo da Serra da Canastra – Isso é bom, é muito bom, bom mesmo.

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Beijos para Rosana, que é a melhor cozinheira do mundo e não deixou ninguém passar fome 🙂

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7 Comments

  • Reply Faby Tsukino agosto 30, 2016 at 1:37 pm

    Agora eu fiquei como você olhando para as estrelas, suspiros e suspiros… Que saudade eu estava de ler seu blog Morgânia! Sua amiga Sandra sabe viver em? Queria uma amiga assim que me chamasse para curtir uma aventura dessas, e ainda poder registrar fotos incríveis como as suas. Fiquei morrendo de vontade de provar esse queijo, amo/sou queijo!

    PS: Saudades do 6on6 </3

    • Reply Morgânia Lima agosto 30, 2016 at 1:53 pm

      Oi Faby,tudo bem?
      A Sandra é dessas pessoas que te convence com um sorriso, e olha que eu não sou de me deixar influenciar tão fácil…
      E sim, lembro que você é fan de carteirinha de queijo.
      Enquanto ao 6on6 sinto o mesmo, mas bem que poderíamos fazer o projeto só nos duas, eu toparia de boa. Um “2on2” acho que seria até melhor, quando tem muita gente envolvida, uma hora alguém desiste e desanima todo o resto. O nosso poderia ter hora e data para acabar, sem precisar necessariamente permanecer por toda a eternidade hahahh!
      E como anda os preparativo para o casamento?
      Obrigada pelo comentário, beijos!

      • Reply Faby Tsukino agosto 30, 2016 at 3:33 pm

        Tudo bem sim querida! Eu adoraria fazer um “2on2” com você, seria ótimo mesmo! . ❤ O casamento vai ser só no meio do ano de 2017…

  • Reply Patricia Leardine agosto 31, 2016 at 10:29 am

    Que delícia! Esse cantinho parece muito especial! E essas experiências ao estilo “no meio do mato” ensinam bastante. Faz um tempão que não acampo e confesso que fiquei chata para banhos frios, mas estar na natureza sempre é um ótimo convite. Lugares próximos a florestas, campos, pedacinhos de mato sempre trazem lendas e causos. Na época que fazia pesquisa no PETAR lembro de muitas histórias sobre onças, cobras e seres misteriosos. Fotos lindas, Morgania! Também me encantei com a versão em vídeo para o blog. É como estar lá, mesmo que por um pouquinho.

    • Reply Morgânia Lima agosto 31, 2016 at 7:07 pm

      Esses causos e crenças é coisa tão antiga e roda todo o país, cada estado com suas histórias, eu nunca tive medo, mas ainda tem muita gente que acredita …
      Obrigada pelo comentário querida Patricia.
      Beijos.

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